Outubro 29, 2005,21:47

Despe a roupa.
Despe-se de preconceitos.
De convencionalismos.
De normas sociais.
De dogmas religiosos
Coloca-se nua em frente ao espelho e vê-se, pela primeira vez, tal como é; sem a capa social que
usa, cada vez mais pesada à medida que os anos passam. Sente-se leve, solta e ri-se à medida que mete os dedos por entre o cabelo e o sacode.
Respira fundo e assume um acto de coragem:
Nunca mais se vestirá.
Passará a ser aquilo que o seu interior lhe ditar e, de cabeça erguida, passara por entre todos aqueles que, de braços cruzados e ombros descaídos e carregados , olharão incredulamente incomodados para a sua nudez.
A roupa? É o que menos importa...
 
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Outubro 25, 2005,23:17
Sou facilmente viciável, confesso.
Nem em atrevo a fazer um sudoku, senão já sei que estou lixada.
Mas dei com este jogo por acaso e é a desgraça....
 
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,21:39
Where am I?
Fecho os olhos e tento tocar o futuro.
Intocável, ele.
Estendo as mãos e apenas encontro o vazio, o nada, o escuro.
Invade-me o medo e fecho-me em mim.
Olho em volta.
Nada.
Ninguém.
Fecho os braços em torno de mim mesma e abraço-me.
Respiro fundo, sustenho a respiração e dou um passo em frente.
Mesmo que caia, sei que cairei de pé.
 
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Outubro 23, 2005,23:00
Foxtrot

Este é o mais recente membro da família.
Chegou hoje e já fez sucesso.
Bastou ver o brilhos nos olhos dos miúdos.
Curioso, brincalhão, lindoooooooooooo.
Vai-nos fazer bem a todos.
E vai ser mais um motivo de histórias bloguísticas.
:-)
 
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Outubro 21, 2005,08:48
Raining outside.
Raining inside.
Why can't it rain only once at the time?
Drops of rain should never be mixed with drops of tears.
 
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Outubro 20, 2005,23:40
Reflexos em simetria.
Completam-se, apesar de opostos.
Lado solar e lado lunar, equilíbrio entre pares.
Espelhos.
Quem é quem, nesta amálgama de imagens?
Não sei quem sou, se reflexo se essência.
Existes dentro de mim, quando fecho os olhos e te sinto; porque quando os abro não te vejo.
Não és palpável. Estendo a mão e sinto apenas o frio do espelho. Mas estás lá.
Serás um reflexo de mim?
 
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Outubro 18, 2005,23:35
Gostava tanto de vos poder ler...
De percorrer os favoritos , saborear o que escrevem, comentar quando achar que devia ou apenas sorrir.
Mas, quando a vida começa a sofrer grandes mudanças, as prioridades invertem-se e, às vezes, deixamos de fazer temporariamente aquelas pequenas coisas que nos dão tanto prazer em detrimento de outras que são prirotárias.
E a minha Vida está a mudar. Quando tudo estiver mais assente, eu partilho aqui convosco, como tenho feito com tantas coisas no meio de estórias inventadas que a maioria confunde com acontecimentos reais. Alguns há, de facto , que são reais. A maioria são apenas inventados ou levemente baseados em sensações.
Mas isto já vai a fugir ao tema :
O que eu quero dizer é que, apesar de pouco escrever e muito menos comentar, continuo aqui, apesar de menos regularmente.
Até sempre.
 
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Outubro 16, 2005,23:33
Pequeno-almoço. Dois pequenos-almoços.
Uma noite partilhada, intimidades vividas, cumplicidades que não precisam de palavras para serem sentidas.
Olhos que sorriem enquanto partilham a refeição. Saber que muitas outras refeições serão partilhadas dali em diante.
Mãos nas mãos, alturas houve em que a comida esperaria para se consumirem no acto de se amarem.
Não há pressa, agora. Apenas o desejo que, sabem, têm todo o tempo do mundo para saciar.
Comem demoradamente, saciando o apetite que a noite apaixonada lhes criou.
Beijam-se entre um golo de sumo de laranja e um pedaço de torrada.
Respiram o ar quente da manhã, felizes pelo sol que lhes aquece a pele, por estarem juntos, por se terem descoberto.
E saem para a rua de mão dada, rumo a uma vida comum.
 
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Outubro 13, 2005,23:36



Cai sempre, cada vez mais.
Não vê o fundo.
Está escuro e já não sabe se sobe ou se desce, perde por completoa noção .
Apenas sabe que se move e a grande velocidade.
Fecha os olhos.
Abre os olhos.
Nada.
Escuridão total.
Rodopia no espaço e flecte-se sobre si mesmo, instintivamente em posição fetal para se preteger.
E gira, roda, rodopia.
E cai.
Pergunta-se quanto mais tempo irá cair.
Tempo. Que tempo?
Ali não existe tempo nem espaço.
Grita, mas nenhum som lhe sai da boca.
Desiste e deixa-se ir até ao sítio onde sabe que deixará de existir.
Acorda encharcado em suor.
 
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Outubro 11, 2005,21:48
Cercas


Há uma cerca que nos separa. Tu de um lado e eu do outro, espreitamos, vigiamos, avaliamos. Tu não passas para o meu lado da cerca e eu não transponho a barreira que nos separa.
Não me lembro sequer como esta cerca apareceu. Um dia acordei e constatei que estava lá. Agora, à distância, apercebo-me das pequenas tábuas que se iam amontoando às quais, erradamente, não dei a menor importância. E, de repente, cá está ela. Separados, o teu mundo e o meu. Tentamos às vezes derrubá-la, mas as farpas que se espetam impedem-nos de continuar. Ficamos sempre magoados, tu e eu.
Lembro-me quando só havia um terreno amplo, totalmente aberto e claro, em que corríamos, jogávamos à apanhada e nos sentíamos bem.
Estamos encurralados, cada um do seu lado. E sozinhos.
Talvez um dia uma brecha se abra nas velhas tábuas de madeira e possamos dar as mãos...
 
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Outubro 09, 2005,23:42
País
Não vou apetecia comentá-las.
Ainda estou chocada com alguns dos resultados, como a eleição da Fátima Felgueiras... e com maioria absoluta.
Desde que me foi permitido por lei votar, nunca falhei umas eleições. Porque acho uma cobardia deixar nas mãos dos outros o destino de um país que é de todos nós.
E é disso que me apetece falar. Do meu país. Desta terra que sinto minha, da História secular de que nos orgulhamos, da coragem na tomada das grandes decisões pelos Homens e Mulheres queaqui viveram antes de nós. Gente de sangue na guelra, cheia de ideais e capazes de dar até a própria vida para que se concretizassem. E com eles fomos uma Nação falada e respeitada no mundo inteiro.

E agora olho em volta e vejo um povo cinzento, acomodado, a trabalhar individualmente para o bem pessoal ( nem que para isso tenha que prejudicar quem o rodeia), pessoas que querem empregos mas não um trabalho, um povo que se habituou a utilizar as palavras crise e tempos difíceis como desculpa para a falta de motivação e competência profissional.

Não digo que uma grave crise não esteja instalada no país. Outros há, bem mais habilitados para isso do que eu, que o dizem há muito.
Mas o que quero questionar é o que cada um de nós, individualmente, fez para que o país saia dela. Porque o país somos todos nós.
 
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Outubro 07, 2005,23:30
Gotcha!!
E pronto fui apanhada!
Hoje, ao entrar no Centro, a primeira coisa que em disseram foi:
_ Estás muita gira, nas fotos do Blogantes.
Gelei.
O anonimato sob o qual escrevi durante um ano e três meses tinha-se acabado.
Também, ninguém me manda pôr fotografias identificáveis aqui.
Mas como a hipótese de alguém dar com isto era tão remota como ganhar o totoloto, arrisquei.
A quem me achou aqui, fique sabendo que perdeu a oportunidade de ser rico, porque há sortes que só se têm uma vez na vida :-)
Soube depois de mais algumas pessoas do Centro que também já têm conhecimento do blog, uma delas de há meses, na versão ainda sem foto.
A ideia aliciante de apenas algumas pessoas escolhidas a dedo terem conhecimento disto, acabou-se.
Duas ideias me passaram de imediato pela cabeça:
Uma foi fechar o Blogantes e " emigrar" para outras paragens.
A outra foi dar a cara e continuar. Porque gosto do nome e porque não tenho nada a esconder, optei pela segunda.
Um pedido apenas: Párem de comentar as fotos e deixem comentários nos textos, chatos dum raio!!! ;-)

Bem-vindos!

 
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Outubro 06, 2005,23:44
Rotinas or not rotinas?
Dia normal de trabalho: Entrada às nove; saída à uma.
Almoçar, ir buscar a pequena à escola, esperar que ela almoce, levá-la a casa da avó e fazer 10 km para a clínica.
Entrada às duas.
Saída às 6.

Acréscimo hoje por ter domicílio para fazer às 6 e meia ( mais 10 km), seguido de uma reunião na escola do filho às 8.

7:45, estou a sair do domicílio, toca o telemóvel. Era ele:
_ Mãe, posso fazer o jantar?
Nem quis acreditar, mas lá consegui balbuciar:
_Podes, desde que não me queimes a cozinha.

Ele riu-se e desligou.

Cheguei a casa e quase saí para entrar de novo. Nem parecia a minha casa. Ele fazia ovos mexidos e a pequena punha a mesa. Nem sinal de discussão.

Dou uma pequena sugestão acerca dos ovos que ele aceitou. Fui a correr para a reunião e, quando cheguei a casa os dois já tinham jantado, lavado a loiça, deixado a mesa posta para mim e a minha cama aberta , com o pijama em cima muito dobradinho.

Das duas, uma: ou isto foi influência do eclipse ou os meus meninos estão a crescer...

 
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Outubro 05, 2005,23:39


Sorris quando me vês. Estendes-me os braços e eu envolvo-te no meu colo. Beijo-te os olhos, as mãos, as bochechas...
Embalo-te e canto-te enquanto me escutas, atento, os teus olhos fixos nos meus, muito abertos.
As tuas mãos procuram o meu rosto e tocam-no, sentem-no. E eu sinto-te.
Deito-te no meu colo e afago-te o cabelo, enquanto te adormeço com o calor do meu corpo.
Sinto a impotência de não te poder dar tudo o que mereces, o que precisas. Porque ninguém vence a Morte.
Vejo os olhos do teu pai quando me sorris com os teus e deixo as minhas lágrimas molharem as tua pequenas mãos. Elas são o beijo que ele nunca te pode dar.
Quando cresceres, vou sentar-te no colo e contar-te muitas estórias dele. Vou mostrar-te os sítios onde brincávamos, as casas onde vivemos. Aqui foi onde ele caiu da bicicleta, aqui era onde ele apanhava as pedras que escondia debaixo da cama sem a avó saber...
Vais saber como ele andava feliz quando soube que ias nascer. Como ele escolheu o teu nome.
Como está vivo através de ti.
 
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,13:27

I feel goooooooooooooooooood, ta na na na!
 
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,10:26
Raisuspartam!
Vou ter vizinhos novos.
O andar por baixo do meu, desocupado há uns dois meses, foi comprado.
Os senhores lá devem ter pensado que a casa precisava de uns arranjos (perfeitamente lógico, apesar de o prédio ter apenas 4 anos).
Então hoje, feriado, às OITO DA MANHÃ em ponto, começaram... berbequins e martelos pneumáticos!
Quereram fazer uma casa nova lá dentro? Ainda por cima num feriado?
Já gosto muito dos meus vizinhos novos e, se a brincadeira se repete no fim-de-semana, vamos ter chatices...

Vou mas é para a rua, prefiro ouvir o trânsito!
 
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Outubro 04, 2005,23:06
Passo em frente


Esboçou um sorriso triste como ela. Deu um passo em frente.
Aspirou o ar fresco da manhã e deixou que este lhe invadisse o peito, renovando-a por dentro e por fora.
Um arrepio de frio percorreu-lhe o corpo, levando-a a aconchegar-se mais no fino casaco de lã.
O vento fazia com que os seus cabelos esvoaçassem, afastando-lhos da cara.
Fechou os olhos e deu outro passo em frente. Respirou fundo.
Olhou o mar lá em baixo, revolto, e deixou que os salpicos lhe atingissem os pés, as mãos, a cara...
Deu mais um passo em frente. Respirou fundo.
Susteve a respiração e começou a chorar.
Deitou-se na erva seca e ali ficou até o sol se pôr.
Depois caminhou, já noite, à beira do precipício até casa. Para mais um dia.
Um só de cada vez.
 
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Outubro 03, 2005,22:27
Médico
Hoje tive uma consulta médica. Problemas menores e revisão anual.
Estava marcada às 11.10 h e cheguei pontualmente à hora marcada, apesar de saber que o médico de pontual não tem nem o nome.
11.10
11.30
12.00
12.30
12.40
Finalmente e já a deitar fumo pelas orelhas, lá fui chamada.
(Resta esclarecer que já nos conhecemos há uns bons anos).

_ AAAHHHHHH.... hoje é que lhe dou uma sova, isto são horas de me chamar?
( silêncio)
(sorriso)
_ Uma sova? Prometes?
 
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,22:23
Já começam?
A semana passada recebi na caixa do correio cá de casa um folheto de um hipermercado com... artigos de Natal! Chocolates e afins, que está uma temperatura óptima para os conservar.

Hoje, no sorteio do loto 2 ( ou da lotaria, nem vi bem) a apresentadora disse que a lotaria do Natal já estava à venda. Aposto que para a semana começam os intermináveis anúncios alusivos ao tema.

Qualquer dia a publicidade do Natal começa em Janeiro!

Que enjoo...
 
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Outubro 02, 2005,22:44
Nunca pensei dizer isto
Estou farta de calor. Farta de Verão. O sol, demasiado baixo, incomoda no contraste com as noites frescas.
Quero poder acender a lareira,
enroscar no babe para dormir e não ter calor,
enrolar-me na mantinha de Inverno,
vestir as roupas quentes,
poder calçar umas botas,
ouvir a chuva a cair quando não tenho pressa para sair da cama,
beber cacau quente,
comer aquilo que só sabe bem com frio como uma bela feijoada,
ver o nevoeiro de manhã.

Sei que , quandos estas coisas acontecerem, ao fim de uma semana estou a bradar que quero o Verão e que não gosto de frio mas eu sou de contrastes.

Já nem falo da falta de água, que cada dia que passa me assusta mais e mais.
 
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