julho 31, 2006

O dia caía sobre a cidade dando lugar à noite, momento de segredos não revelados.
Respirou a plenitude da paisagem que se abria aos seus olhos e sentou-se, apreciando-a.
Uma brisa suave tocou-lhe o corpo e provocou-lhe um leve arrepio; soube-lhe bem, depois do dia de calor intenso.
Sentou-se e um suave torpor tomou-lhe conta do corpo, fazendo com que adormecesse.
Sonhou. Não importa o quê, foram sonhos bons, mas apenas ilusões como todos os sonhos.
Acordou gelada, já a noite ia alta. A escuridão era agora total, apenas entrecortada pelas luzes da cidade que, ao longe, mostrava alguma vida.
Recolheu a casa.
Os sonhos?
Deixou-os fechados lá fora...

Foto tirada da varanda cá de casa, gostaram da foto anterior agora aturam-me!

julho 30, 2006

Passeio de fim de tarde

* Foto tirada hoje.

Como tens razão, Pedro...

Não quero falar aqui de guerra. Para coisas tristes já basta o que escrevo.
Mas, ao ler o Pedro Ribeiro, não posso deixar de o citar. Porque há frases simples que dizem muito:
"De facto não há o bem e o mal nesta história. Só há violência, tristeza e depois a mais definitiva forma de falta de esperança: o desprendimento total perante a loucura."
Trilhos.
Encruzilhadas.
Escolhas.
Obstáculos.
Dor.
Lágrimas.
Solidão.
Frio.



Vidas.

Foto de Claudio Marcio Lopes

julho 29, 2006

Passas fugaz no meu firmamento, iluminando por breves instantes a minha noite .
Tão breve, tão curto, o momento de luz!
Fecho os olhos.
Penso num desejo.
Encontro apenas escuridão, quando os reabro...
Sorrio das minhas próprias crendices.

julho 28, 2006


Percorre as ruas desertas em busca do calor de quem a quer.
Não ama mas dá-se a amar, vende prazer mas não o quer, prostituta de corpo, puta de alma.
A troco de carinhos entrega-se a quem busca o prazer carnal e abraça quem lhe paga como se fosse amada, beija com ternura enquanto quem a escolheu ao acaso.
Triste Mulher que acordas todos os dias só, dor no peito, rasgada de dor e fodida a frio.

Música ouvida de manhã e que não me sai da cabeça

I'm a bitch, I'm a lover
I'm a child, I'm a mother
I'm a sinner, I'm a saint
I do not feel ashamed
I'm your hell, I'm your dream
I'm nothing in between
You know you wouldn't want it any other
way

julho 27, 2006

Não se sacrificam pessoas quando morrem flores.

julho 26, 2006

Flor de Pedra

Estacionou o carro perto da esplanada e, antes de sair, estudou o espaço.
Pequenita, de aspecto aparentemente frágil, deu um meio sorriso quando, no meio de todas as pessoas, descobriu a presa: ele estava só, absorto na leitura de um livro do qual não conseguiu ler o título. Não importava quem era. Viu-se reflectida nos vidros do carro e inconscientemente, arranjou o cabelo já de si impecável.
Indiferente aos olhares masculinos que a seguiam, fez o seu ar mais inseguro quando se aproximou dele, que não a viu chegar.
_ Desculpe, disse, importa-se que me sente na sua mesa? Todas as outras estão ao sol...
Reconheceu o olhar misto de espanto e agrado que ele lhe dirigiu quando lhe respondeu: Oh, por favor, esteja à vontade... O sol está, de facto muito quente!
Meia hora depois o livro continuava poisado, esquecido numa cadeira enquanto eles conversavam animadamente.
Flor de pedra, nunca mais se magoaria. Porque só se magoa quem ama. A partir de agora, quem iria magoar seria ela...

julho 25, 2006

Sufoca.
Quer respirar e não consegue, sente no peito um peso que não a deixa deitar fora o ar que inspira.
Derruba o que a rodeia, procura auxílio em vão.
Falta-lhe o ar, tem ar a mais, não sabe.
Fica tudo escuro, as forças faltam-lhe e cai no chão.
Por fim, a paz invade-a. Não precisa de respirar. Não precisa de mais nada.
Acende-se uma luz branca, intensa e é com um sorriso que recebe o estertor da Morte.

julho 24, 2006

Quebras-me quando me despes com os olhos antes me despires com as mãos,
Lascivo.
Arrepias-me quando me tocas e tremo,
Desejo.
Corpos que mergulham um no outro,
prazer.
Desejos carnais , profusão de cheiros,
sabores molhados.
Orgasmos.

julho 23, 2006


Há sempre o preto, a ausência de cor. Nele me refugio agora, como uma redoma construída do nada.
Não há tempo, apenas cor. Ou não-cor.
Escuridão dos sentidos. Olhos indiferentemente abertos ou fechados, navego num espaço que provavelmente nem existe.
E então vem o vermelho. Deambula. Ronda.
Agride-me com o seu fulgor. Recuso olhá-lo.
Insiste.
Confronta-me.
Não quero.
Absorvo-o.
Escuridão total de novo.

julho 20, 2006

Personal post

Correm pela casa, com risos alegres.
O monte da roupa vai crescendo em cima da minha cama, sob minha orientação. Tem que caber tudo na mala pequena, as companhias de aviação não se compadecem com excessos de bagagem.
O meu coração vai ficando mais pequenino, à medida que coloco a roupa na mala.
Vão de férias, os meus meninos. Egoisticamente, fico triste. Sei que vão ficar bem, que é só uma semana, que passa a correr e que às vezes gosto de ficar sozinha mas ao pensar no silêncio quando meto a chave na porta e nas saudades que vou ter deles, fico com um nó na garganta.

julho 19, 2006

Teresa ouve o telefone a tocar enquanto fecha a porta de casa à chave. Hesita, mas decide não voltar atrás para atender. Quatro voltas à chave, saco de viagem com meia dúzia de roupas para lá atiradas ao acaso, senta-se ao volante e suspira enquanto o carro arranca. Há coisas que têm que ser feitas, decisões adiadas que têm de ser tomadas, pensa, ao sabor da estrada que o carro parece galgar. Gosta de conduzir e concentra-se na estrada para evitar pensar no que a perturba. O telemóvel de vez em quando toca mas Teresa nem o olha. Decidida, viaja todo o dia e o sol já quase se pôs quando, finalmente, estaciona. Respira fundo.

Francisco pousa o telefone sem que o atendam, mais uma vez. Mete os dedos no cabelo num gesto que, quem o conhece, sabe denunciar angústia. Tanta coisa que ficou por dizer, tanto por explicar. Quem costuma guardar para si mesmo o que o incomoda é, neste momento, quem sente a necessidade de clarificar tudo. Sente-se inseguro nesta nova situação, principalmente por não a conseguir resolver depressa. Achava que o que tinham era precioso demais para acabar assim mas, pelos vistos, estava enganado. Pegou de novo no telefone e jurou a si mesmo que era a última vez. Foi interrompido pela campainha da porta e esboçou um esgar de contrariedade. Não lhe apetecia ver ninguém, mas abriu.
_ Teresa? Tentei ligar-te todo o dia e não me atendeste!

_ Não. Há coisas que se resolvem olhos nos olhos e…

(Não conseguiu acabar. Um beijo calou-a)

Foto de Frederic Giacomaggi



julho 18, 2006

Calor. Intenso, arrebatador, tão poderoso que absorve todas as energias que o rodeiam, tornando-se ainda mais forte, qual parasita.
Não consigo pensar, não quero pensar.
Arrasto-me pelos dias, um atrás do outro; todos me parecem iguais, sem história e sem futuro, num arrastar de corpos indolentes, indecentes até que derretem por não poderem existir mais.
Nada resta, então.
Apenas o mesmo calor, abrasador, supostamente gerador de Vida, realmente destruidor.

julho 17, 2006


Não digas nada, abraça-me apenas.
Faz-me sentir pequenina no teu colo, onde nada nem ninguém me pode fazer mal.
Afasta o papão, o bicho mau, o homem do saco.
Aperta-me no teu peito , com força, até as lágrimas secarem e eu voltar a sorrir... e adormecer num sono livre de fantasmas.
Será a lua aquele ponto luminoso que vês ao longe ou serei eu,etérea, vagueando na noite da tua imaginação?
É inútil prenderes-me, escapar-me-ei por entre os teus dedos.
Sou luz, vento, som, elementos que não se palpam mas estão lá.
Giro em teu redor e confundo-te, atordoo-te, baralho-te.
Dança comigo...
Deixa-me rodopiar enquanto te enlaço num jogo de luzes que só tu e eu sabemos fazer.
Guarda na tua pele o calor suave dos meus raios e fecha os olhos enquanto eu desaparecer de novo no horizonte, porque não sou tua nem de ninguém.
Apenas luz...

julho 16, 2006

Almost kiss


Sorriram quando se encontraram, por acaso, na rua movimentada. Não se viam há anos, a vida tinha traçado caminhos diferentes para ambos. Após as perguntas habituais, perceberam que estavam ambos sós, depois de relações acabadas. Gerou-se um silêncio embaraçoso, de quem não quer entrar em intimidades alheias, de quem já foi íntimo mas deixou de o ser.
No entanto, sentiam-se bem, ali, um ao lado do outro. Prolongaram o momento o mais que puderam, tomaram café numa esplanada, conversaram e riram como antigamente, até que tiveram que se separar ( mais uma vez, a história repetia-se; só que os meses do passado transformaram-se nos minutos do presente).
Quando se despediram, os lábios dele tocaram o canto dos dela, apelativos.
Afastaram-se em silêncio, cada um seguindo o seu caminho.
Toca o telemóvel de um deles:
_Estava na esperança que não tivesses mudado de número, estes anos todos. Sabes, tenho muitas saudades tuas...

julho 14, 2006

Olhou para a velha casa antes de fechar a porta que delimitava a propriedade.
Cada janela contava uma estória, cada recanto era-lhe familiar.
As ansiedades, os terrores, os comportamentos bizarros, tudo ficaria encerrado assim que a porta grande se fechasse.
Foram momentos difíceis, os que ali passou. Alturas houve que não se reconhecia, não sabia quem era. Noutros, não percebia o que fazia ali.
Viveu escuridões intermináveis, alucinações que a faziam tremer, sentiu suores frios de terrores imaginários.
Suspirou e fechou a porta.
Consigo, levava uma vida nova.
Da antiga, apenas ficaram os sonhos que a atormentavam durante a noite. Desses, nunca falou a ninguém, nem iria falar.
Seguiu em frente, rumo ao destino que tinha traçado.
Às 9h da manhã o carro marcava 30ºC.
Lindo.

julho 13, 2006

Sinto-te, mas não te consigo tocar. Ao longe, ris-te e chamas-me, sabendo que não te alcanço.
Viras-me as costas sem me dizer adeus, como se eu nunca tivesse existido.
Vejo passar a tua vida, da qual não faço parte, Vida em que és feliz sem mim.
Não faço falta, logo não existo.
Choro sem lágrimas uma dor que, de inexplicável, se torna insuportável.
Tento virar as costas mas não consigo, o meu olhar segue-te mesmo depois de deixar de te ver.
E acordo coberta de suores frios.
Sento-me na cama e olho para o lado.
Não estás.

julho 12, 2006


Sou a brisa que sopra, fresca, às primeiras horas da manhã envolvendo a tua pele e arrepiando-te.
Sou o sol que te aquece o rosto,luminoso, astro rei de calor que te toca sem saberes.
Sou o mar em que mergulhas todos os dias quando te refrescas.
Sou luz vento e água, sonhos emoções e pensamentos, lágrimas e sorrisos...
Sou tu...
Deixa-me espreitar na tua porta.
Abro um bocadinho só, assim... Não quero que te exponhas. És o meu segredo escondido no meu recanto mais íntimo.
Escondo-te na escuridão, protejo-te.
Talvez não existas, talvez apenas te sonhe.
Será por isso que apenas te vejo quando fecho os olhos e descubro que sorrio?
Mas então existes sim, não importa a forma nem o lugar onde te encontras.
Basta existires dentro de mim...

julho 11, 2006


Turva-se-lhe a imagem ao longe , talvez pelo calor que se faz sentir. Mancha no horizonte ou figura que se aproxima, cerra os olhos e não quer ver. O cansaço é mais forte que tudo e deixa-se cair no chão que escalda, levantando uma poeira de meses de seca.
Tosse, sente-se sufocar...
As forças esvaem-se num suspiro que sente que será o último, rumo à escuridão eterna.

De repente, grossas gotas de água tocam-lhe a pele e os lábios ressequidos entreabrem-se em busca do elixir precioso.
Abre os olhos: nuvens cerradas começam a oferecer-lhe toda a água que acumulam, numa dança de trovões e relâmpagos coreografada ao último detalhe. Soergue-se no chão, percebe misturados o pó e a pele que a água se encarrega de lavar.
Escorre lama quando se eleva de vez, para perceber que criou raízes no solo. Não consegue sair dali, melhor: não quer sair dali. Deixa que as raízes se cruzem, dançando umas com as outras.

A figura que tinha avistado ao longe estava agora mais perto, estranhamente sem se ter movido, uma árvore de sombra refrescante e acolhedora que lhe estende os ramos num convite a um abraço.
E assim ficaram, ramos e braços entrelaçados, a árvore sem saber que era ele e ela sem perceber que era árvore.



Soube há momentos que a minha candidatura para a Licenciatura de Fisioterapia foi aceite. Tem apenas alguns anos, esta conquista dos Fisioterapeutas. Até há bem pouco tempo, o curso não ia além do Bacharelato.
Ainda não estou bem em mim. Vai ser um ano terrível, porque vou ter que dispensar grande parte da minha actividade de profissional liberal para conseguir acompanhar o mínimo de aulas exigido. Mas, se outros conseguiram, acho também vou ser capaz. Nem para isso tenha que pedir esmola algum tempo!
Vou andar enervada, exausta, arrependida, a pensar para que raio me meti eu nisto?
É que o facto de não viver em Lisboa obriga a muitas horas de viagens, horas essas que poderiam ser rentabilizadas de outra forma.
No entanto, ainda meio atordoada, não caibo em mim de contente.
E acho que, a partir de Setembro, este blog vai contar as venturas e desventuras de uma mulher de 42 anos de volta à faculdade.

julho 10, 2006

Que há algumas músicas que, sempre que as oiço me deixam perturbada, já eu sabia. O Requiem de Mozart é uma delas.
Mas nunca me tinha acontecido com uma série de televisão. Até aparecer Six Feet Under. O episódio de hoje foi arrasador.
Desculpem o desabafo, podem continuar.
Passa horas no comboio, embalada pelo barulho característico enquanto desliza pelos carris. Percorre distâncias que se vão tornando familiares à medida que as semanas vão passando, eterna viajante sem casa e sem pátria em constante movimento entre dois destinos e a nenhum dos dois pertenço.
Está cansada. Fecha os olhos e adormece, enquanto sonha com aquele canto só seu, aquele barulho familiar de meter a chave na porta de casa.
Quando acorda, já passou há muito o seu destino. Sai do comboio atordoada, com pessoas que não conhece e para um espaço que não reconhece.
Casas, ruas, nada lhe é familiar.
Sorri e começa a percorrer os novos espaços. A casa vai ter que esperar.
É, agora, cidadã do mundo.

julho 09, 2006

Pegadas na areia

Percorro a praia vazia com o olhar e perco-me nas marcas deixadas que alguém que, antes de mim, ali passou.
Pegadas na areia que a maré enchente se encarrega, aos poucos, de apagar. São sinais de presença de alguém que imagino desfrutar, como eu, do cheio e sabor do mar, um ser solitário que usa a praia para pensar. Cologo os meus pés em cima das pegadas que restam. Encaixam perfeitamente.
Pergunto-me se não serão minhas aquelas pegdas.
Disparate!
Não venho aqui há semanas e nenhumas pegadas na areia duram assim tanto tempo.
Caminho em direcção ao mar, sempre sobrepondo as minhas pegadas às existentes e deixo que a água fria me arrepie a pele.
Fico ali por uns minutos, de olhos fechados, enquanto deixo que o vento me beije os cabelos, fazendo-os voar.
Reparo então que não há pegadas de volta. Foi um caminho só de ida, este que percorri.
Sorrio.
Saio da água, escrevendo com os meus pés uma nova estória na areia molhada; quem sabe se, algures noutra praia alguém escreve uma página em cima desta...

julho 06, 2006

Narcisismos


Fecho os olhos e deixo-me ir, lá para onde a dor não magoa e o silêncio é cúmplice.
Sorrio, num gesto que não é perceptível a quem passa. É um sorriso só meu...
Vagueio entre tudo e todos sem ser vista, invisível a quem passa. Agrada-me, esta invisibilidade momentânea. Sigo ao sabor do vento,para onde ele me leva, sem destino traçado ou hora marcada. Não importa onde pouso, onde vou ficar daqui em diante.
Só quero ficar com este sorriso para sempre.

julho 04, 2006

Estou tão cansada...

... que não consigo escrever. Ou sentir. O que não é mau de todo, convenhamos.
Até um destes dias.
Deve ser lá para o fim de semana, quando esta agitação toda acalma um bocado.
Beijos e abraços.

julho 02, 2006

Já não ouvia esta menina há tanto tempo....
Hoje, na A1, ela veio ter comigo.
O cd já toca de novo no carro...