janeiro 21, 2005

A dor

A dor aumenta e diminui, de forma cíclica. De manhã, não sei porquê, é muito maior. Aperta o coração e quase deixamos de respirar. Trememos por dentro como se um terramoto nos sacudisse mas, ao vermos a nossa imagem no espelho, estamos imóveis. Estáticos. Parados. Mas não mortos. Depois lentamente o mundo começa a mexer à nossa volta e percebemos que temos que continuar, mesmo que doa.
E seguimos as nossas rotinas do " antes" como se nada se tivesse passado, a não ser o nosso olhar que mudou. A forma como vemos os outros é diferente, "depois". E através dessas rotinas há momentos em que quase esquecemos. E, de repente um som, uma palavra, uma imagem, um cheiro, trazem de novo tudo. Brutalmente. Mas respiramos fundo, ganhamos coragem e começamos tudo de novo, uma hora de cada vez, um dia atrás do outro. E cada um custa mais que o outro.
Por enquanto, até o riso dos pequenitos dói. É injusto darmos tanto de nós durante anos àqueles que geramos e as memórias deles serem tão curtas. Qual será o cantinho onde eles "o" vão guardar? Mas, simultaneamente, é essa alegria que nos vai mantendo alertas para que"ele" continua vivo, perpetuado neles.
Eu sei que vai haver um dia em que a dor ameniza e dá lugar à saudade.
E aí poderei pensar "nele" com um sorriso nos lábios e desfrutar de todas as recordações sem que se me rasgue a alma.

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